sábado, 17 de setembro de 2011

Esvaindo-se em sonhos

Ah sonhos
Fantasmas da alma
Fruto da árvore proibida
Prêmio desejado
Tesouro inacessível

Se eu pudesse te alcançar,
Se você pudesse me ver
Afinal sou só mais uma garota
Porém invisível

Alguém me vê?
Alguém alguma vez me viu?
Posso dizer que às vezes
Até meu reflexo desaparece

Não tenha medo e aproxime-se
Toque minha pele, ela ferve
Prove dos meus lábios, eles não mentem
Fale a meus ouvidos, são fiéis

Mas acho que terei de me acostumar
A estar só
A só estar
Eu, as sombras, os pensamentos
As lágrimas e a solidão

Olá, velha amiga!
Vamos dormir mais cedo hoje?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Espelhos meus, quem pode me dizer quem sou?

   Olá, espaço virtual!
   Hoje não estava a fim (ou inspirada) para escrever poesia, mas queria colocar no "papel" alguns pensamentos que têm atravessado minha agitada mente. Quem sabe assim eles param de incomodar um pouco... Afinal, como já disse anteriormente, escrever sai mais barato que psicólogo! ^_°
   A questão é que ando pensando que nem eu mesmo me conheço. Tempos atrás (aliás, longo tempo) um amigo, Pedro, me escreveu um recadinho de aniversário onde ele me disse algumas coisas que me chatearam um pouco. Tanto que escrevi de volta respondendo e, dessa vez, acho que fui eu que chateei. Só que hoje, remoendo, pensando, matutando, acho que ele tinha uma certa razão. Já minha amiga Andreza, há cerca de um mês atrás me escreveu uma cartinha, dizendo coisas tão lindas, que no minuto em que li, as lágrimas queriam saltar de meus olhos; só que minha mente também se recusou em aceitar num primeiro momento.
   Explico: Pedro me disse que, ao ler alguns de meus textos e poemas no blog, ele achava que provavelmente eu não tinha muitos amigos com quem conversar e que ele estava triste por isso, talvez porque geralmente o que eu expresso nos textos são momentos de intensa fragilidade emocional. Esse amigo mora muito longe de mim, e eu o conheci numa de minhas viagens ao Chile, no ônibus (sim, isso mesmo, aventura!). Convivemos muito pouco (2 dias e meio), mas a conexão que tivemos foi muito imediata e forte. Quando respondi à mensagem de Pedro, estava realmente magoada com o que ele me disse, e repliquei que tinha poucos mas bons amigos, e que o que acontecia é que nem tudo eu tinha vontade ou coragem de expor para eles. Isso continua sendo uma verdade, mas as palavras de Pedro me rondam a mente até hoje. E acho sim que ele tem certa razão.
   Já minha amiga Andreza conheci na igreja. Ela é daquele tipo de pessoa que vai chegando de mansinho e conquistando sua amizade com seu jeito sincero e delicado de tratar as pessoas. Tive um dia de treinamento em razão do meu trabalho e, como atividade final, a direção da escola entrou em contato com minha família e amigos para que, em segredo, eles escrevessem cartinhas de amizade e palavras de carinho para mim. Essas cartas foram entregues no fim do dia de treinamento. Com orgulho não disfarçado posso dizer que eu era a que mais cartinhas recebeu. Mas ao ler cada palavra, especialmente da carta de Andreza, meu "eu" interior não queria muito aceitar o que estava sendo dito ali, mesmo que eu estivesse extremamente lisonjeada e feliz pela carta. Ela escreveu que sou uma pessoa que parecia reservada a princípio, mas que, aos poucos fui me mostrando como: "uma pessoa com personalidade marcante, com características que chamam a nossa atenção, como a forma carinhosa de você tratar sua família, sua disposição, ..., sua constância e opiniões fortes e objetivas".
   Pois é, espaço virtual. Dá pra acreditar? O fato é que às vezes, nem eu acredito. Confesso: tive, tenho e acho que sempre terei problemas de auto-estima. Já melhorei muito com o passar do tempo, e só Deus sabe o que pode ter causado isso. Talvez o famoso bullying na escola por ser gordinha? Talvez um supercontrole sobre minha vida, a partir de meus pais? Talvez eu sempre tenha sido assim, e isso faz parte da minha personalidade? Não sei de fato. De repente, tudo isso combinado.
   Mas o que quero concluir aqui é que a gente nunca se conhece de fato. Porque, enquanto outros enxergam características que você mesmo nunca tinha pensado a respeito, por outro lado, ninguém enxerga os cantinhos escuros da sua mente como você vê. E a autocrítica é sempre mais dura que a crítica. Há alguma solução pra isso? Acho que sim, mas não estou escrevendo aqui para pedir uma solução, mas apenas para desafogar e clarificar meus próprios pensamentos para mim mesma.
   Estranho? Também acho. E então, espelhos meus, podem me dizer quem sou?