segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Ressaca


Cabeça pesada
Olhos vermelhos
O dia seguinte traz a ressaca
Apegando-se ao resquício das lembranças do que foi bom
Sublimando o amargor do que poderia ter sido melhor
Mas isso é só por hoje
E toma-se um gole de realidade
E uma tragada de dia-a-dia
Que é pra ver se melhora
A cabeça pesada
E os olhos vermelhos

Amanhã já estou bem
Para embriagar-me novamente com a vida

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Mamãe

Poderia dizer
Alimento, cuidados, educação
Mas isso não é tudo

Poderia dizer
Amor, carinho, repreensão
Mas isso não é suficiente

Poderia ainda dizer
Sustento, modelo, perfeição
Mas isso não seria totalmente verdade

Mas o que posso dizer
É que você me é importante
Imperfeita, humanha
Às vezes sorridente, às vezes não
Porém foi você quem Deus me deu
Para amar como mãe
Como amiga, como pessoa

Então digo: TE AMO!

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Provocação

Quando te vejo
E você me lança aquele olhar
Assim, sei lá, com segundas intenções
Mas totalmente inocente

Você acha que é meu amigo
E, às vezes, acho que podia rolar

Daí vem a vontade
Aquela vontade sem mais
De experimentar o veneno
De provar o gosto
De te desafiar a provar o meu

Até que fico bem quietinha
E a vontade passa...

Quem sabe outro dia?

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Essência

A essência buscada
O conhecimento desejado
Está aqui, a apenas algumas milhas
Estico meus dedos e sinto seu calor
Posso sentir sua fragrância
A luz rara que dela emana é hipnotizante
Ouço seu sussurro
Ao mesmo tempo poderoso e doce

Mas ela foge
Como fada brincalhona,
Como fauno sedutor e inebriante
A essência quer ser descoberta
Ela quer ser desvendada

No entanto o caminho é tortuoso
E ela ri, um riso de provocação
E quando provo da brisa que a envolve
Sinto-me queimar, um fogo verdadeiro
Que revela e que purifica

A essência buscada
Cada dia está mais perto
Quando ela for incorporada
Não se sabe o que se dará
A dor, o prazer, o medo
Ainda assim desejada:
Minha essência...


sábado, 17 de setembro de 2011

Esvaindo-se em sonhos

Ah sonhos
Fantasmas da alma
Fruto da árvore proibida
Prêmio desejado
Tesouro inacessível

Se eu pudesse te alcançar,
Se você pudesse me ver
Afinal sou só mais uma garota
Porém invisível

Alguém me vê?
Alguém alguma vez me viu?
Posso dizer que às vezes
Até meu reflexo desaparece

Não tenha medo e aproxime-se
Toque minha pele, ela ferve
Prove dos meus lábios, eles não mentem
Fale a meus ouvidos, são fiéis

Mas acho que terei de me acostumar
A estar só
A só estar
Eu, as sombras, os pensamentos
As lágrimas e a solidão

Olá, velha amiga!
Vamos dormir mais cedo hoje?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Espelhos meus, quem pode me dizer quem sou?

   Olá, espaço virtual!
   Hoje não estava a fim (ou inspirada) para escrever poesia, mas queria colocar no "papel" alguns pensamentos que têm atravessado minha agitada mente. Quem sabe assim eles param de incomodar um pouco... Afinal, como já disse anteriormente, escrever sai mais barato que psicólogo! ^_°
   A questão é que ando pensando que nem eu mesmo me conheço. Tempos atrás (aliás, longo tempo) um amigo, Pedro, me escreveu um recadinho de aniversário onde ele me disse algumas coisas que me chatearam um pouco. Tanto que escrevi de volta respondendo e, dessa vez, acho que fui eu que chateei. Só que hoje, remoendo, pensando, matutando, acho que ele tinha uma certa razão. Já minha amiga Andreza, há cerca de um mês atrás me escreveu uma cartinha, dizendo coisas tão lindas, que no minuto em que li, as lágrimas queriam saltar de meus olhos; só que minha mente também se recusou em aceitar num primeiro momento.
   Explico: Pedro me disse que, ao ler alguns de meus textos e poemas no blog, ele achava que provavelmente eu não tinha muitos amigos com quem conversar e que ele estava triste por isso, talvez porque geralmente o que eu expresso nos textos são momentos de intensa fragilidade emocional. Esse amigo mora muito longe de mim, e eu o conheci numa de minhas viagens ao Chile, no ônibus (sim, isso mesmo, aventura!). Convivemos muito pouco (2 dias e meio), mas a conexão que tivemos foi muito imediata e forte. Quando respondi à mensagem de Pedro, estava realmente magoada com o que ele me disse, e repliquei que tinha poucos mas bons amigos, e que o que acontecia é que nem tudo eu tinha vontade ou coragem de expor para eles. Isso continua sendo uma verdade, mas as palavras de Pedro me rondam a mente até hoje. E acho sim que ele tem certa razão.
   Já minha amiga Andreza conheci na igreja. Ela é daquele tipo de pessoa que vai chegando de mansinho e conquistando sua amizade com seu jeito sincero e delicado de tratar as pessoas. Tive um dia de treinamento em razão do meu trabalho e, como atividade final, a direção da escola entrou em contato com minha família e amigos para que, em segredo, eles escrevessem cartinhas de amizade e palavras de carinho para mim. Essas cartas foram entregues no fim do dia de treinamento. Com orgulho não disfarçado posso dizer que eu era a que mais cartinhas recebeu. Mas ao ler cada palavra, especialmente da carta de Andreza, meu "eu" interior não queria muito aceitar o que estava sendo dito ali, mesmo que eu estivesse extremamente lisonjeada e feliz pela carta. Ela escreveu que sou uma pessoa que parecia reservada a princípio, mas que, aos poucos fui me mostrando como: "uma pessoa com personalidade marcante, com características que chamam a nossa atenção, como a forma carinhosa de você tratar sua família, sua disposição, ..., sua constância e opiniões fortes e objetivas".
   Pois é, espaço virtual. Dá pra acreditar? O fato é que às vezes, nem eu acredito. Confesso: tive, tenho e acho que sempre terei problemas de auto-estima. Já melhorei muito com o passar do tempo, e só Deus sabe o que pode ter causado isso. Talvez o famoso bullying na escola por ser gordinha? Talvez um supercontrole sobre minha vida, a partir de meus pais? Talvez eu sempre tenha sido assim, e isso faz parte da minha personalidade? Não sei de fato. De repente, tudo isso combinado.
   Mas o que quero concluir aqui é que a gente nunca se conhece de fato. Porque, enquanto outros enxergam características que você mesmo nunca tinha pensado a respeito, por outro lado, ninguém enxerga os cantinhos escuros da sua mente como você vê. E a autocrítica é sempre mais dura que a crítica. Há alguma solução pra isso? Acho que sim, mas não estou escrevendo aqui para pedir uma solução, mas apenas para desafogar e clarificar meus próprios pensamentos para mim mesma.
   Estranho? Também acho. E então, espelhos meus, podem me dizer quem sou?





sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Morfeu


Ah, doce país dos sonhos
Onde os sonhos de acordada se tornam reais
Onde o choro é amenizado ao saber-se
Que ao acordar-se
O choro será real, por dores verídicas

Ah, suave mundo metafísico
Quando posso te beijar e te amar
E logo em seguida te perder
Mas sem doer
Porque amanhã estarás comigo de novo

Ah, delicioso lugar do esquecimento
Onde conheço todos e tudo
Onde não há lugar que não possa estar
Onde sou de fato, a heroína
E os vilões podem ser derrotados

Então me pergunto:
Pra onde me levarás hoje, Morfeu?
Pra quem me levarás hoje, Morfeu?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Minutos


Quando não se pode ter a felicidade total
Ou não se pode estar com uma pessoa que te complete
É possível estar feliz, e extrair alegria
Dos poucos minutos,
Nos curtos minutos
Em que tua atenção é toda minha

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Mini Sentimentos #5


AMIZADE

Uma das poucas razões para se acreditar
Que anjos ainda existem, que você mesmo pode ser um
E que o amor é possível

Mini Sentimentos #4

AMOR

É como Deus, em que se crê ou não
Dependendo da sua experiência
A maioria tem, e uma minoria o procura eternamente
Mesmo sem admitir

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Contradição

Eu queria que você voltasse
Mas não quero te ver mais
Queria te ter por perto
Mas isso, eu sei, é impossível

E é frio quando se acorda do sonho
E é quente quando se imagina o que poderia ter sido realidade

Sua voz seria um bálsamo
Mas a expectativa é como ácido
Corrói minhas esperanças
Suas palavras, como um dia de verão
Mas a saudade como um interminável inverno

Por isso, fique longe
Mas não esqueça de mandar notícias
Porém só em pensamento

quarta-feira, 4 de maio de 2011

On the wall

No more ilusion,
No more confusion
All I want is just you

No more fantasies,
No more pansies
All I need is just you

Why should I search around,
Looking for some kind of bond,
When everything I long for at the end of the day
Was right here, inside you?

So, I pledge allegiance to you
You belong to me
You irradiate from me
You, my love, my heart
My self

You calm me down,
You smile and I get satisfied
You cry with me, but you also understand me

Everytime I look in the mirror...

quinta-feira, 10 de março de 2011

Narciso

Parece que eu sempre te vi
Mas nunca te enxerguei em sua totalidade
Porém agora que estás realmente aqui
Já não quero que saias de perto de mim

Nós nos completamos
Quando te olho, vejo que me amas por quem eu sou
E desta vez, sem fingimento,
Quando falo, me ouves
Como ninguém mais neste mundo é capaz
Quando não falo, me entendes
Sorrindo ou chorando comigo quando necessário

Cada sensação
Cada emoção
Cada pensamento, intuição ou ação
Compartilhas comigo
Cada briga
Cada entendimento
Cada palavra, ação ou reação
Tu me acompanhas

E tu me conheces tão bem
Eu também te conheço
Mas isso não é suficiente
E nos buscamos
Buscamos o conhecimento pleno
E explicações não são necessárias
Apenas o apoio incondicional
Na dúvida ou na certeza

E verdadeiramente então percebo
Que somos um, como um simples reflexo...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Tocaia

"Destiny, I'll find you in my dreams" - Vanessa Mae

Como assombração,
Um espectro
Você me cerca

Te vejo na volta da esquina
No canto escuro do quarto
Quando penso que ninguém me vê

Às vezes penso em te dirigir a palavra
Mesmo que sejas apenas uma sombra
Quero te cobrar, te interpelar

Mas você não se revela, nunca
Você não me dá escolha
Não tenho o livre-arbítrio
Não como os demais
Não como o normal

Minha natureza e tua influência
Me forçam a optar pelo bem
Embora o mal borbulhe e palpite em meu interior
E quisera te ignorar e te mandar ao fim do mundo
E quisera me esconder na noite e caminhar à luz da lua

E enquanto sigo acorrentada à tua sombra
Tu continuas a me observar
A me empurrar
A mover as alavancas da minha vida

Mas ainda me libertarei de ti
E traçarei meu próprio mapa
Livre de ti, finalmente
Destino


terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Desejo Obscuro

Depois de tanto tempo sem postar, achei a inspiração que precisava.
Na verdade, vou emprestar algumas palavras...
Navegando por aí, observando fatos e procurando palavras para me expressar, me deparei com um clássico que ainda não conhecia.
É um poema escrito pelo poeta britânico Lord Byron, chamado "Manfred". O compositor Tchaikovsky até escreveu uma obra musical baseada neste poema (aliás, estou ouvindo-a enquanto escrevo este post).
O texto que selecionei é dramático sim, mas é tão belo e,soa tão melodioso em seu inglês arcaico, que não pude resistir a publicá-lo aqui.
Para aqueles que quiserem ver o poema na íntegra, clique aqui.
Ok, o texto está em inglês mesmo, mas eu não queria que perdesse sua musicalidade original. Talvez, mais pra frente, eu poste uma versão em português. Por enquanto, é possível traduzi-lo no Google, mas uma boa parte das palavras se perde e, como de costume, acaba perdendo também boa parte do sentido.
Enjoy! ^_^


Manfred
(Trechos do Ato 1, Cena 1)

When the moon is on the wave,
And the glow—worm in the grass,
And the meteor on the grave,
And the wisp on the morass;
When the falling stars are shooting,
And the answer’d owls are hooting,
And the silent leaves are still
In the shadow of the hill,
Shall my soul be upon thine,
With a power and with a sign.

Though thy slumber may be deep,
Yet thy spirit shall not sleep;
There are shades which will not vanish,
There are thoughts thou canst not banish;
By a power to thee unknown,
Thou canst never be alone;
Thou art wrapt as with a shroud,
Thou art gather’d in a cloud;
And for ever shalt thou dwell
In the spirit of this spell.

Though thou seest me not pass by,
Thou shalt feel me with thine eye
As a thing that, though unseen,
Must be near thee, and hath been;
And when in that secret dread
Thou hast turn’d around thy head,
Thou shalt marvel I am not
As thy shadow on the spot,
And the power which thou dost feel
Shall be what thou must conceal.

And a magic voice and verse
Hath baptized thee with a curse;
And a spirit of the air
Hath begirt thee with a snare;
In the wind there is a voice
Shall forbid thee to rejoice;
And to thee shall Night deny
All the quiet of her sky;
And the day shall have a sun,
Which shall make thee wish it done.
...

And on thy head I pour the vial
Which doth devote thee to this trial;
Nor to slumber, nor to die,
Shall be in thy destiny;
Though thy death shall still seem near
To thy wish, but as a fear;
Lo! the spell now works around thee,
And the clankless chain hath bound thee;
O’er thy heart and brain together
Hath the word been pass’d—now wither!