segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Transparente

Quando a coerência não tem aderência
Quando o falado difere do praticado
Perde-se a inocência, fere-se a decência
O olhar muda, a confiança se perde

Por que dizer o que não pode fazer?
Ou o que não se quer fazer?
A verdade é dura, mas simples
A mentira é suave, porém traiçoeira

Não construa meu sonho
Não participe dele
Se pretende se ausentar,
Se a intenção é especular
Se a vontade não é partilhar

Sou um livro aberto
À procura de um espelho
Onde possa ver refletidas
As perguntas que faço, e juntos
Encontramos as respostas
Casando dicçãoe ação
Verdade e sinceridade

Claros e puros como água da nascente

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Tic Tac

O tempo é estranho
O tempo é irreal
Talvez ele seja um deus,
Ou um semi-deus, meio desorientado
Uma divindade que não se importa com pobres mortais
Sua velocidade é intangível, incontrolável
Não nos atende conforme nosso querer
Ele vagueia segundo seus próprios passos
Se insinua pelos cabelos, pela pele, pelos ossos
Embaça os olhos mais brilhantes,
Embota as lembranças mais belas ou mais sombrias,
Drena nossas energias, nossa juventude
Ah, tempo, se eu pudesse entender teus mistérios
Se pudesse controlar tuas rédeas
Mas estou à tua mercê
Só te peço então
Seja gentil com meu viço,
Afável com minhas angústias,
E tempere com carinho minhas lembranças mais doces...