sexta-feira, 30 de julho de 2010

Crash 'n' Burn


Quem você pensa que é pra partir meu coração?
Burn in hell!
E você, que parece uma banca de feira,
Oferecendo seus produtos a quem passa?
Burn in hell!
Seus olhos me olham e me dizem
Que não posso ser quem sou
Burn in hell!

Para de me encarar
Para de me acusar
Para de me escarnecer
Se disser que o poder está em mim
Cabe a mim apenas dizer se isso é verdade
Se não disser que estou interessada
Cabe a mim apenas dizer se isso é mentira
Se o meu ar blasé te confunde
Não pense que não me importo
Palavras ferem mais que ações
E uma pequena ação fala mais que mil palavras

Você que acha que ajuda o outro
Mas que pisa por cima de mim pra isso
Burn in hell!
Ainda que parece estar tudo bem
Me ignorar
Burn in hell!
A verdade é que a brasa queima em minha pele
Mas a dor passa e a ferida cicatriza
E o fogo queima apenas a lembrança
Que poderia ter sido doce
E sopro suas cinzas pra longe

Quem é você pensa que é?
Acho que você não pensa
Porque você, pra mim, não existe...

sábado, 17 de julho de 2010

Depende de você

Abriu os olhos e tudo que viu foi o nada. Escuridão total. Tentou mais uma vez, pensando que talvez não tivesse realmente aberto os olhos. Só fez melhorar de leve a escuridão.
Tentou se levantar, mas tudo doía. Ficou lá no chão mais um pouco. Respirou fundo e se sentou. Ainda não conseguia ver nada. Só sentia. E estava frio, muito frio. E úmido. E escuro, muito escuro.
Não sabia por quê estava lá, nem como chegara lá, nem se um passado havia acontecido. Só conseguia sentir o agora, embora soubesse que já estivera lá antes. O instinto lhe disse para apalpar o chão ao seu redor.
Duro e frio e áspero. Achou um pedaço de qualquer coisa comestível e uma poça de um líquido adequado para se beber naquelas condições. Empurrou aquilo para dentro da boca, embora sem fome e sem sede. Sabia que já havia tentado sair de lá antes, mas não lembrava se conseguira de fato. Esperou durante horas que algo acontecesse. Cutucou os ouvidos para ver se estavam funcionando. E ouviu alguns ruídos. Gotas leves, gotas pesadas, um tamborilar suave que aumentou à medida que descobria a origem dos sons: suas lágrimas caindo no chão, sangue (sim, uma ferida aberta no peito destilava o líquido da vida) e seu próprio coração tamborilando tristonho e assustado e surpreso. E doía.
Deitou-se novamente, e fechou os olhos bem apertados, abraçando os próprios joelhos, tentando encontrar algum conforto e desejando que tudo acabasse ali, que algo fizesse com que tudo acabasse ali, ou que alguém viesse para acabar com tudo. E ouviu um som.
Dois sons: um áspero e um suave. O áspero lhe lançava acusações, injúrias e zombaria. "Inútil", dizia o som áspero, "sofre aí, ninguém está aqui, e a culpa é sua". Lhe passou pela mente que já ouvira tudo aquilo antes. E então veio o som suave, porém firme: "Você está aqui porque você permitiu que alguém te jogasse aqui. Mas depende só de você sair... Então, saia!!". E com os dois sons entremeados, rondando sua cabeça como dois abutres se digladiando pela presa, rilhou os dentes, arregalou os olhos e deu um grito ao erguer o corpo dolorido do chão. Percebeu que ao ficar em pé, tremendo dos pés à cabeça, tinha um pedaço de pano nas mãos. Reparou que a escuridão era mais tênue à sua frente.
Gemendo a cada movimento, pressionou aquele pano contra a ferida no peito. E então deu um passo. Arrastando o outro pé, deu um segundo. Parou. Respirou fundo, ofegando, achando que não suportaria fazer outro movimento sem sentir dores excruciantes. Mas o som antes suave, agora menos suave, mas ainda firme, circulava em sua mente: "Depende de você. Saia!!". Cambaleante, se jogou à frente. Notou que o chão conforme avançava se tornava menos áspero, menos íngreme. O chão pedia para ser trilhado, pisado. Aos poucos as forças foram invadindo seus membros, uma força que vinha das dores, da ferida exposta que ainda doía, mas só lhe fazia lembrar do que queria deixar lá atrás, e avançava. "Que força é esta? Isso sou eu?".
Agora já não andava, percebeu que corria. Mas o cansaço não lhe vinha. A escuridão estava lá atrás, mas não olhou pra lá, só olhava agora pra frente.
E ainda corre, já consegue ver uma luz, já consegue ver a própria luz emanando do que antes era uma ferida no peito, iluminando o caminho à frente. Não sabe o que tem lá no fim e nem quer saber. A satisfação de se ver cada vez mais longe do começo é suficiente. E o que vier agora, é lucro.
E finalmente, sorri.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Extra Ordinário


Quando eu estava no colegial, muitas vezes ia até uma esquina perto da escola para esperar meu pai, que vinha me buscar ao sair do trabalho para irmos almoçar. Então, naquela época, adquiri o hábito de observar o movimento do mundo ao meu redor. Tanto que, certo dia, contei de uma forma até bem casual algo que havia visto no dia anterior para alguém mais velho, e que tinha um bom nível cultural (não estou certa se foi um professor...). Mas me surpreendeu o que essa pessoa disse: "você deveria começar a escrever; isso parece até uma crônica!".
Naquela hora, eu sorri e, claro, depois fiquei pensando a respeito (não sem antes pesquisar mais o que era uma crônica); porém, nada mais fiz na época, a não ser continuar observando tudo.
Esse hábito progrediu com o passar dos anos e sempre foi algo meu, particular, minha forma de saborear o ato de viver.
O motivo pelo qual estou escrevendo isto agora foi inspirado por uma conversa muito bacana que tive há alguns dias com um amigo virtual (virtual, mas "de fé"!). Estávamos falando sobre coisas filosóficas, maneiras de ver o mundo, religião, sobre ser coerente com as crenças pessoais. Daí, soltei uma frase na hora que ficou martelando na minha cabeça até agora: as pessoas buscam o extraordinário em coisas fantásticas, mas não percebem que o extraordinário está debaixo do nariz delas disfarçado de dia-a-dia. Para mim o extraordinário está nas pequenas coisas, basta parar e olhar para o mundo ao seu redor.
Exemplo: há cerca de dois anos comecei a dar o miolo do pão (que não como), cujo final seria um desperdício jogado no lixo, aos pardais. A princípio foi só por uma consciência "ecológica", mas depois de algum tempo também comecei a jogar-lhes as raspas de arroz que sobravam no fundo da panela. E, mais uma vez, passei a observar o que acontecia.
O fato é que agora, eles me conhecem e eu conheço alguns deles. Os passarinhos nem têm mais medo de nós aqui em casa. Tanto que tem um casalzinho que sempre pousa na traseira do ar condicionado que sai para o quintal e me observam dali, quando estou à mesa comendo alguma coisa. Gosto de chamá-los de Gordinho e Manquinha. O primeiro é óbvio o motivo do nome, mas a segunda é uma fêmea cuja perninha direita é levemente defeituosa, mas não a impede de vir ciscar no quintal nem de voar tão bonitinho quanto todos os pardais. Eles se sentam no ar condicionado e esperam até que eu termine de comer, para compartilhar minhas sobras com eles. Às vezes, até converso com eles, e eles retribuem me olhando e virando as cabecinhas como se estivessem tentando me entender.
Tá, pode parecer bobo e infantil, mas a alegria que me dá de vê-los não só nesses momentos, mas em outras situações engraçadíssimas que já presenciei, é o tipo de alegria pura, simples, sem grandes elaborações, alegria infantil e boba mesmo.
Muitas vezes, o ser humano busca grandes "orgasmos" na vida diária, através de ser o maioral no trabalho, nos relacionamentos, na família, e até na religião (triste nessa aqui, hein?). Mas fazendo assim perdem a ternura do "selinho", do abraço que a vida está sempre disposta a nos dar.
Por isso, não despreze os pequenos prazeres. Se gosta de afundar a mão no saco de grãos de feijão, faça! Um cheiro de chuva, leite em pó com chocolate em pó e um pinguinho de água, andar descalço ou rolar na grama, observar a natureza, rir até chorar por nada com um amigo de infância — todas essas são pequenas alegrias que a vida te oferece, disfarçadas de cotidiano!
Não reclame que a vida é triste sem olhar de fato dentro dos olhos dela... Você vai se surpreender!

domingo, 11 de julho de 2010

Beleza Interior


Era bela, mas não se via assim
Como poderia?
Se tudo o que ela enxergava
Eram as pessoas ao seu redor?
E o espelho se embaçava
Pela calidez de sua alma

Era bela, mas não se via assim
Porque ela aprendeu
Que a beleza vinha de dentro
E que amar os outros era primordial
E ela dava as costas para seu reflexo
Para poder olhar seus queridos

Era bela, mas não se via assim
Até que um dia, sem olhar para si
Olhou demais para alguém
Alguém que não merecia ser olhado
E teve seu puro coração quebrado
E punhados de areia em seus olhos caíram

Era bela, e começou a se ver assim
Primeiro os olhos, depois a boca
Mas ainda se dividia
Entre ser boazinha e ser a louca
Mas os dias passavam
E as noites pesavam

Era bela, e já quase se via assim
Mas alguém lhe disse belas palavras
E ela acreditou
Que podia voltar ao que era
E apenas dar amor
Mas não pensar em si

Ela é bela, e finalmente se vê assim
Ainda olha os outros
Mas não mais cega para si
Entregue agora à sua loucura
Feliz e dona de si
Dona de seu mundo e de seu sorriso

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Nove meses

Estou grávida!!
Mas não se assustem amigas e amigos (principalmente! hehe)...
Hoje foi um dia muito bom, pude descansar e fazer coisas que adoro! E uma das coisas que gosto é pensar na vida e ler coisas diferentes (o que acaba sendo um círculo vicioso, porque ler me faz pensar mais, e quando penso me dá mais vontade de procurar o que ler).
E voltando pra casa, sorri sozinha, pensando em tudo o que tem acontecido ultimamente. Alguns turbilhões têm passado ao meu redor, mas nada que me abale. Na verdade, me sinto mais forte do que nunca.
A questão é que, nos últimos tempos, tenho percebido algumas mudanças dentro de mim. Tá que sou uma metamorfose ambulante, como diria Raulzito, mas dessa vez é ainda mais diferente.
Pra quem está caindo aqui de paraquedas, explico: sou a falsa extrovertida. Aprendi a me relacionar com as pessoas, ainda que isso não seja uma característica inata em mim. Porém, sou um trabalho em progressão. O fato é que desde a infância sempre tive baixa auto-estima.
Mas há alguns anos isso começou a mudar, e vem mudando progressivamente, às vezes estacionando, às vezes avançando, mas sempre evoluindo. E o marco representativo do início dessa mudança gravei em meu corpo, na forma de uma tatuagem de borboleta (símbolo da metamorfose e evolução).
No entanto, hoje durante minha meditação ao longo do caminho de volta pra casa me peguei sorrindo porque me dei conta de que estou, de verdade, gerando outra pessoa dentro de mim. Por momentos, não me reconheço, e sei que a mudança é inevitável (e nem é algo que queira evitar). E essa nova pessoa está crescendo, quietinha, no meu interior, como um bebê tenro e cheio de vontade de ver o mundo. Mudei e estou mudando alguns conceitos; velhas e novas crenças estão disputando território; é como mudar de casa: joga-se fora o que se pensava ser útil ou importante, redecorando e arejando cômodos que não se tinha na casa anterior.
Não sei que cara terá essa nova pessoa, que efeitos ela causará na vida dos que a cercam (e não estou preocupada com isso na verdade). Até porque ainda não inventaram ultrassom para esse tipo de gravidez.
A única coisa que sei é a certeza de uma grávida que deseja seu bebê: estou ansiosa para o nascimento dessa nova pessoa, sabendo que vou amá-la muito!!!
E para os críticos de plantão, que neste momento sacodem suas cabecinhas (se é que chegaram até o fim deste texto) e estalam suas línguas num "tsc-tsc", aqui vai meu sincero: VÃO PLANTAR BATATA!!! (ou vulgo F**A-SE).

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Liberdade Condicional

Eu observo
Observo os pássaros, as pessoas
Observo minha imagem no espelho
Na maior parte do tempo parecem livres
Eu me sinto livre
Ainda mais agora que a dor não me pesa
Ela apenas vaga na lembrança
Talvez seja pelo analgésico de se viver o hoje

Mas também observo
E vejo que não existe a liberdade total
São muitas as amarras que nos limitam
Quero ser livre pra amar sem restrições
E então vêm as regras morais
Livre pra ir e vir, decidir ou deixar rolar
Mas as amarras dos compromissos sociais e financeiros me seguram

Falar o que quiser, expressar como quiser
Porém até a liberdade dos outros
São grilhões que me cingem
Já diria Rousseau que livres nascemos
E, no entanto, presos vivemos
Porém ganhei asas de liberdade
Tênues e frágeis como as de borboleta
Ao menos para meus pensamentos
Ainda posso ser livre
Ainda posso me expressar
Nem que seja através das lágrimas e sorrisos cibernéticos
Na minha loucura virtual
E aproveitar minha liberdade condicional...

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Carta de un Soldado

Este texto eu escrevi e criei uma apresentação PowerPoint há alguns anos atrás. Depois, a postei no Youtube (como vcs podem ver no vídeo ao final do texto aqui). Porém, algumas pessoas me pedem para traduzir o texto para espanhol, então para não ter meu texto sumariamente copiado (tá, isto não necessariamente vai impedir as pessoas de copiar) e ter pelo menos um pouquinho dos meus direitos de criação garantidos, decidi postar a tradução aqui. Se vc quiser ver o vídeo em português, basta clicar no link ao final.

Hoy ha sido más un dia en esta guerra interminable...
Hoy vi a algunos compañeros siendo muertos,
Otros, heridos, fueron a recibir los cuidados de nuestro excelente doctor.
Luego estarán en las líneas de encuentro nuevamente.
Porque el enemigo es feroz... Y sus hileras, muchas veces, sobrepasan las nuestras en número!
Pero no debemos desanimarnos, porque nuestro General es mucho mejor que el de ellos.
Y aunque parezcamos estar perdiendo, sabemos que saldremos victoriosos en cada batalla gracias a Su comando.
Pero lo que entristece a mi corazón de soldado son las deserciones y no apenas para el lado enemigo,
Sino aquellos que dejan sus respectivos pelotones en búsqueda de otros que parezccan más fuertes...
Aunque nuestro pelotón permanezca firme, cada vez que hay rebaja en nuestros números, nos ponemos desahuciados pues tenemos que cubrir la ausencia de aquellos que nos dejaron.
Sin embargo, aún peor son los que van de pelotón a pelotón sin fijar posición en ninguno.
Esos soldados son, muchas veces, más perjudiciales en la batalla que los enemigos...
Unos llegaron aún a dividir y extinguir pelotones que estaban en la frente de batalla!
Lo que ellos no recuerdan es que tenemos el mismo General, y sus órdenes deben ser obedecidas sin importar nuestra posición en el campo de batalla.
Lo importante es mantenernos unidos, sirviendo como soldados dedicados y fieles en el pelotón donde el Gran General nos designe.
Termino esta carta por aquí, esperando que Ud., soldado, piense en lo siguiente:
Sirve de manera honrada y fiel en el destacamento donde Ud. está, siempre agradeciendo y pidiendo instrucciones al Gran General...
... hasta el día de la Gran Victoria!
"...Todo reino dividido contra sí mismo quedará asolado, y toda ciudad o familia dividida contra sí misma no se mantendrá en pie. (...) El que no está de mi parte, está contra mí; y el que conmigo no recoge, esparce". (Mateo 12:25,30)

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