
Quando eu estava no colegial, muitas vezes ia até uma esquina perto da escola para esperar meu pai, que vinha me buscar ao sair do trabalho para irmos almoçar. Então, naquela época, adquiri o hábito de observar o movimento do mundo ao meu redor. Tanto que, certo dia, contei de uma forma até bem casual algo que havia visto no dia anterior para alguém mais velho, e que tinha um bom nível cultural (não estou certa se foi um professor...). Mas me surpreendeu o que essa pessoa disse: "você deveria começar a escrever; isso parece até uma crônica!".
Naquela hora, eu sorri e, claro, depois fiquei pensando a respeito (não sem antes pesquisar mais o que era uma crônica); porém, nada mais fiz na época, a não ser continuar observando tudo.
Esse hábito progrediu com o passar dos anos e sempre foi algo meu, particular, minha forma de saborear o ato de viver.
O motivo pelo qual estou escrevendo isto agora foi inspirado por uma conversa muito bacana que tive há alguns dias com um amigo virtual (virtual, mas "de fé"!). Estávamos falando sobre coisas filosóficas, maneiras de ver o mundo, religião, sobre ser coerente com as crenças pessoais. Daí, soltei uma frase na hora que ficou martelando na minha cabeça até agora: as pessoas buscam o extraordinário em coisas fantásticas, mas não percebem que o extraordinário está debaixo do nariz delas disfarçado de dia-a-dia. Para mim o extraordinário está nas pequenas coisas, basta parar e olhar para o mundo ao seu redor.
Exemplo: há cerca de dois anos comecei a dar o miolo do pão (que não como), cujo final seria um desperdício jogado no lixo, aos pardais. A princípio foi só por uma consciência "ecológica", mas depois de algum tempo também comecei a jogar-lhes as raspas de arroz que sobravam no fundo da panela. E, mais uma vez, passei a observar o que acontecia.
O fato é que agora, eles me conhecem e eu conheço alguns deles. Os passarinhos nem têm mais medo de nós aqui em casa. Tanto que tem um casalzinho que sempre pousa na traseira do ar condicionado que sai para o quintal e me observam dali, quando estou à mesa comendo alguma coisa. Gosto de chamá-los de Gordinho e Manquinha. O primeiro é óbvio o motivo do nome, mas a segunda é uma fêmea cuja perninha direita é levemente defeituosa, mas não a impede de vir ciscar no quintal nem de voar tão bonitinho quanto todos os pardais. Eles se sentam no ar condicionado e esperam até que eu termine de comer, para compartilhar minhas sobras com eles. Às vezes, até converso com eles, e eles retribuem me olhando e virando as cabecinhas como se estivessem tentando me entender.
Tá, pode parecer bobo e infantil, mas a alegria que me dá de vê-los não só nesses momentos, mas em outras situações engraçadíssimas que já presenciei, é o tipo de alegria pura, simples, sem grandes elaborações, alegria infantil e boba mesmo.
Naquela hora, eu sorri e, claro, depois fiquei pensando a respeito (não sem antes pesquisar mais o que era uma crônica); porém, nada mais fiz na época, a não ser continuar observando tudo.
Esse hábito progrediu com o passar dos anos e sempre foi algo meu, particular, minha forma de saborear o ato de viver.
O motivo pelo qual estou escrevendo isto agora foi inspirado por uma conversa muito bacana que tive há alguns dias com um amigo virtual (virtual, mas "de fé"!). Estávamos falando sobre coisas filosóficas, maneiras de ver o mundo, religião, sobre ser coerente com as crenças pessoais. Daí, soltei uma frase na hora que ficou martelando na minha cabeça até agora: as pessoas buscam o extraordinário em coisas fantásticas, mas não percebem que o extraordinário está debaixo do nariz delas disfarçado de dia-a-dia. Para mim o extraordinário está nas pequenas coisas, basta parar e olhar para o mundo ao seu redor.
Exemplo: há cerca de dois anos comecei a dar o miolo do pão (que não como), cujo final seria um desperdício jogado no lixo, aos pardais. A princípio foi só por uma consciência "ecológica", mas depois de algum tempo também comecei a jogar-lhes as raspas de arroz que sobravam no fundo da panela. E, mais uma vez, passei a observar o que acontecia.
O fato é que agora, eles me conhecem e eu conheço alguns deles. Os passarinhos nem têm mais medo de nós aqui em casa. Tanto que tem um casalzinho que sempre pousa na traseira do ar condicionado que sai para o quintal e me observam dali, quando estou à mesa comendo alguma coisa. Gosto de chamá-los de Gordinho e Manquinha. O primeiro é óbvio o motivo do nome, mas a segunda é uma fêmea cuja perninha direita é levemente defeituosa, mas não a impede de vir ciscar no quintal nem de voar tão bonitinho quanto todos os pardais. Eles se sentam no ar condicionado e esperam até que eu termine de comer, para compartilhar minhas sobras com eles. Às vezes, até converso com eles, e eles retribuem me olhando e virando as cabecinhas como se estivessem tentando me entender.
Tá, pode parecer bobo e infantil, mas a alegria que me dá de vê-los não só nesses momentos, mas em outras situações engraçadíssimas que já presenciei, é o tipo de alegria pura, simples, sem grandes elaborações, alegria infantil e boba mesmo.
Muitas vezes, o ser humano busca grandes "orgasmos" na vida diária, através de ser o maioral no trabalho, nos relacionamentos, na família, e até na religião (triste nessa aqui, hein?). Mas fazendo assim perdem a ternura do "selinho", do abraço que a vida está sempre disposta a nos dar.
Por isso, não despreze os pequenos prazeres. Se gosta de afundar a mão no saco de grãos de feijão, faça! Um cheiro de chuva, leite em pó com chocolate em pó e um pinguinho de água, andar descalço ou rolar na grama, observar a natureza, rir até chorar por nada com um amigo de infância — todas essas são pequenas alegrias que a vida te oferece, disfarçadas de cotidiano!
Não reclame que a vida é triste sem olhar de fato dentro dos olhos dela... Você vai se surpreender!
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