domingo, 13 de outubro de 2013

Crônica

Domingo de manhã
Um senhor com um sapato diferente em cada pé
Observa o pintor em seu trabalho
E a árvore solitária tinge o asfalto de amarelo
Derramando suas flores
Enquanto isso, na janela do carro
A pequena aranha luta, sofre, se esforça
Para manter-se em sua teia
Tão frágil, mas tão forte
Do outro lado da janela
O cadáver de um carro se deteriora
Sob o sol que aparece
Pedindo desculpas por não ter comparecido
E brindado ao sábado
Também se desculpa a foto do artista
Por estar lá, em ambiente restrito
Onde só poderia entrar pessoal autorizado...
Quadros que ninguém pintou
Paisagens que ninguém vê
Num domingo de manhã.