
Eu não ia escrever isto, mas às vezes alguns pensamentos cruzam a nossa mente e é difícil ignorá-los. Eu tinha em mente escrever uma poesia. Na verdade, ela ainda será escrita, só que está em processo de "fermentação".
Enquanto isso, senti a necessidade de, de alguma forma, desabafar através de palavras que não as minhas... Acredito que todos os que pensam diferente do mundo lá fora, que apesar das desilusões "desce ao fundo do poço, lava o rosto e volta sorrindo" (palavras do meu amigo Ivan Almeida - citei a fonte Ivan!!! Hehehe...), todos os que uma hora ou outra se sentem alienígenas neste mundo poderiam identificar-se com o trecho de um livro que vou postar abaixo.
Eu me sinto assim muitas vezes, e esta é uma ocasião em que estou assim: solitária, mas ainda com um sentido de grandeza no fundo do ser.
Talvez isso soe como pretensão de minha parte. Pode ser. Não estou aqui pra me justificar ou pra pedir desculpas. Apenas procuro me exorcisar, como sempre.
Vou parar por aqui. O próprio texto do livro é auto-explicativo. Trata-se de um trecho de "O Sobrinho do Mago", das Crônicas de Nárnia. Diálogo entre o sobrinho em si, Digory, e seu tio André.
- ... Eu era uma das poucas pessoas que minha madrinha gostava de ver quando adoeceu gravemente. Ela não se dava com as pessoas comuns, ignorantes, entende? Também eu sou assim. Mas ambos nos interessávamos pelas mesmas coisas. Poucos dias antes de morrer, ela me disse para ir buscar em sua casa uma pequena caixa, que ela guardava numa velha escrivaninha. No momento em que toquei na caixa já senti, pelo formigamento dos meus dedos, que tinha nas mãos um vasto segredo. Deu-me a caixa e tive de fazer-lhe uma promessa: logo que ela morresse, tinha de queimar tudo, sem abrir, depois de certas cerimônias. Não cumpri minha promessa.
- Não diga! Foi muito feio de sua parte! - exclamou Digory.
- Feio? - perguntou tio André, muito admirado. - Ah, estou entendendo. Está querendo dizer que os meninos devem cumprir suas promessas. Muito bem, estou gostando de ver. Mas também deve admitir que essas regras morais, embora excelentes para as crianças... e para a criadagem... (...) e para as pessoas em geral... não podem ser aplicadas aos grandes estudiosos, aos grandes sábios, aos grandes pensadores. Não, Digory! Homens como eu, conhecedores da sabedoria oculta, não estão amarrados a essas regras vulgares... do mesmo modo como estamos distanciados dos prazeres vulgares. Nosso destino, meu filho, é solitário, mas está acima de tudo.
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